quinta-feira, 12 de abril de 2012

Fela Kuti - Documentário


Homem importante tanto politicamente quanto musicalmente. Grande ativista político a partir dos anos 70, lutava pela melhora no governo nigeriano, chegando a formar seu próprio partido para concorrer a presidência, porém sofria grandes censuras pelo governo.
Era filho de um pastor protestante, diretor de escola e primeiro presidente da União Nigeriana de Professores, e de uma ativista feminista. Vai para Londres estudar, porém sua influência política e engajamento se inicia com o contato com o movimento negro norte-americano.


Mais do que isso, mesmo perseguido e espancado pelas autoridades de seu país, trabalhou como produtor de rádio, fundou conjuntos musicais e viajou pelo país e pelo mundo pregando igualdade.Pelos rotuladores de plantão, a música vibrante de Fela empalideceu, passou a ser reconhecida como “World Music”, excrescência midiática que permanece até os dias de hoje.



Toda a sua carreira ele lutou contra a corrupção política no seu país de origem, a Nigéria, e foi muito querido por seu povo, que carinhosamente o chamava de "Presidente Negro"... até 1997, quando ele morreu de Aids aos 58 anos. Dirigido em 1982 por Stéphane Tchal Gadjieff e Jean-Jacques Flori, "Music Is The Weapon" é o documentário definitivo sobre Fela. Um filme essencial a todos que querem conhecer melhor um artista no coração da história musical africana.

Filmado em Lagos, o filme nos leva desde a "República Kalakuta" à mítica casa noturna "Shrine". No auge de sua carreira numa Nigéria caótica, Fela quis concorrer à Presidência. O exército respondeu atacando sua comunidade, violentando suas mulheres e arremessando sua mãe de uma janela, o que a levou à morte pouco depois. Após mais um período na prisão, mais determinado do que nunca e rodeado de seu povo, Fela transmite à camera seus pensamentos políticos, de panafricanismo, política e religião.


Assista Aqui o Documentário: 
Fela Kuti: Music is the Weapon


                          

sexta-feira, 16 de março de 2012

Phatyma - 2010


Curta-metragem de moçambique baseado na personagem criada pela renomada escritora Paulina Chiziane, e dirigido por Luiz Chaves.

Reflexão


Esse curta discute questões como o papel da mulher na cultura tradicional, e o choque com a modernidade trazendo questões como o papel da personagem na sociedade moçambicana. Dessa forma se propõe um diálogo entre o passado e o futuro, ou melhor, entre o tradicional e o moderno. Além disso aponta para a questão da educação no processo de formação das mulheres em moçambique, o papel do conhecimento nesse processo. Devido ao tempo o curta não problematiza as questões, sugerindo que as reflexões e as respostas aconteçam na mente do espectador.





Dados Técnicos

Diretor: Luiz Chaves
Duração: 9min 
UF/Ano: BA/2010 
Roteiro: Luiz Chaves
Direção de Produção: Africamakiya Produções, ActionAid Moçambique
Fotografia: Luiz Chaves
Câmera: Luiz Chaves, Bruce Carosini, Lázaro Mabuie, Tony Mabuie e Inadelso Cossa
Arte: Luiz Chaves
Som: Luiz Chaves e Bruce Carosini
Edição: Luiz Chaves
Outros: Direção musical: Ras Haitrm






Assista o curta na íntegra abaixo


               

domingo, 11 de março de 2012

Terra Sonâmbula

Hoje eu trago para vocês um filme de Moçambique, chamado "Terra Sonâmbula", baseado na obra do escritor Mia Couto.
Aos 14 anos já possuía poesias publicadas em Moçambique, no Jornal Notícias da Beira. Mais tarde trabalhou no Tribuna, depois foi diretor da Agência de Informação de Moçambique (AIM). Em 1983, publicou o seu primeiro livro de poesia, Raiz de Orvalho, que inclui poemas contra a propaganda marxista militante. Dois anos depois, demitiu-se da posição de diretor para continuar os estudos universitários na área de biologia.
O filme que trago hoje foi baseado no livro de mesmo nome, Terra Sonâmbula  cuja 1ª ed. é da editora Caminho em 1992; 8ª ed. em 2004. Ganhou o  Prémio Nacional de Ficção da Associação dos Escritores Moçambicanos em 1995, sendo considerado por um juri na Feira Internacional do Zimbabwe como um dos doze melhores livros africanos do século XX.


 Sinopse

Um ônibus incendiado em uma estrada poeirenta serve de abrigo ao velho Tuahir e ao menino Muidinga, em fuga da guerra civil devastadora que grassa por toda parte em Moçambique. Como se sabe, depois de dez anos de guerra anticolonial (1965- 1975), o país do sudeste africano viu-se às voltas com um longo e sangrento conflito interno que se estendeu de 1976 a 1992. O veículo está cheio de corpos carbonizados. Mas há também um outro corpo à beira da estrada, junto a uma mala que abriga os “cadernos de Kindzu”, o longo diário do morto em questão. A partir daí, duas histórias são narradas paralelamente: a viagem de Tuahir e Muidinga e, em flashback,o percurso de Kindzu em busca dos naparamas, guerreiros tradicionais, abençoados pelos feiticeiros, que são, aos olhos do garoto, a única esperança contra os senhores da guerra. "Terra Sonâmbula" – considerado por júri especial da Feira do Livro de Zimbabwe um dos doze melhores livros africanos do século XX e agora reeditado no Brasil pela Companhia das Letras – é um romance em abismo, escrito numa prosa poética que remete a Guimarães Rosa. Couto se vale também de recursos do realismo mágico e da arte narrativa tradicional africana para compor esta bela fábula.







Dados do Filme


Moçambique | Teresa Prata | 2007 | Drama | IMDB

Português | Legenda: Português

96min | 700 Mb


Não sabe usar o Torrent?
Para baixar esse arquivo você precisará de um programa, eu utilizo o BitTorrent ( clique aqui para baixar).
Depois de baixar o programa, execute-o e o link do filme irá abrir automaticamente nesse programa.
Com ele você pode desligar o computador que o download irá continuar de onde parou quando você reiniciar .




Crítica do Filme, de Teresa Prata

Ainda estava a iniciar os seus estudos de cinema em Berlim quando descobriu, num canto de uma livraria espanhola, Terra Sonâmbula, de Mia Couto. E envolveu-se tanto na sua leitura que teve vontade que «o livro não acabasse nunca». Teresa Prata pouco sabia na altura de argumento ou realização, mas imaginou os seus primeiros grandes planos. Não perdeu tempo e decidiu escrever logo à Caminho, editora do escritor moçambicano, pedindo autorização para fazer daquela história um filme. Levou tempo, mas uma dúzia de anos depois, aí está a sua Terra Sonâmbula. É a primeira longa-metragem da realizadora que antes assinou várias curtas.

Não faltaram a Teresa Prata as razões para querer filmar Terra Sonâmbula. A começar pela «profundidade» da história: «Toca todos os pontos essenciais, vida, morte, sobrevivência, amor». Mas também a sua «originalidade». E a universalidade do que é contado. «É uma história africana, fala-se de Moçambique, mas uma guerra é sempre uma guerra. Por outro lado, no filme não há só uma criança à procura dos pais, mas também uma criança a crescer, o que é universal».

Pesou também por certo o facto de Teresa Prata ter vivido a sua infância em Moçambique, de onde saiu em 1975, com oito anos. Mudou-se então para o Brasil e mais tarde veio para Coimbra, onde se licenciou em Biologia, integrando também o elenco do CITAC, durante seis anos. Do teatro passou ao cinema, já que desde criança que gostava de contar histórias e percebeu que melhor o faria atrás de uma câmara do que em palco como actriz. Só voltou a Moçambique para rodar Terra Sonâmbula e teve na equipa muitas pessoas que tinham vivido a guerra e perdido toda a família. «Perguntavam-me por que queria fazer este filme», recorda. «E eu respondia-lhes que o ia utilizar como se fosse uma lente para verem a guerra e a sua realidade com um pouco mais de poesia».

Mia Couto, que em Junho vai publicar um novo romance intitulado Venenos de Deus, Remédios do Diabo, com a chancela da Caminho, não deixa de confessar que um escritor ainda que de uma maneira «ocultada» tem sempre a «esperança de rever» o que escreveu noutra linguagem, quando os seus livros passam ao cinema. «A linguagem cinematográfica tem que ser divorciada e construída com toda a liberdade sobre a sugestão do livro. E quanto mais distante, melhor será o resultado», reconhece. «É portanto uma relação sempre difícil para o autor, porque por um lado está-se revendo no filme, mas sabe que já não é uma coisa sua. Como quem olha para um filho e já não reconhece aquela criança que parecia ser sua». No caso de Terra Sonâmbula adianta: «Sabendo que Teresa Prata teve poucos recursos em condições difíceis, produziu um trabalho honesto, limpo, digno». Mia Couto já teve algumas das suas histórias adaptadas ao cinema e ao teatro, nomeadamente em algumas curtas de realizadores moçambicanos e há outros projectos de longas-metragens. Mas o seu universo será tão aliciante quanto difícil de passar a outras linguagens. Há sempre o alto risco de se perder na passagem a riqueza da sua singularidade, o envolvimento mágico, o poder encantatório das suas narrativas. Requer, nessa medida, alguma escrupulosa coragem na adaptação ao cinema. Em Terra Sonâmbula, a cineasta encarou o «desafio do livro», sem nunca perder de vista a natureza distinta das duas linguagens, a literária e a cinematográfica. «Uma é para ser lida, a outra para ser vista», salienta. «Foi um trabalho feito com cuidado, pensado. Quis começar de uma forma realista e acabar de uma mais mágica e segui esse conceito também nos diálogos. Primeiro são mais duros e depois fui deixando alguns ‘diálogos puros’ do Mia Couto». E acrescenta: «O meu filme é a minha visão sobre o livro e retirei dele o que me interessava contar».E o que Teresa Prata quis contar foi a história da criança, Miudinga, e do velho Tuahir, seu companheiro na deambulação em busca da mãe, que acredita ser a mulher que espera o seu filho, num navio encalhado, como diz o diário que encontrou junto de um cadáver. «Só peguei num esqueleto narrativo», adianta. «Por exemplo no livro de Mia Couto as duas histórias nunca se encontram, mas em cinema se abro uma segunda linha de história tenho que as juntar. Por isso, criei um rio que não existe no livro». Ainda recorda a «alegria» sentida na cozinha do seu apartamento em Berlim, onde vive, quando teve a ideia desse rio, que fez desembocar num final com «alguma esperança». «Senti logo que era uma boa ideia», diz. Talvez tenha tido a certeza, quando as pessoas se levantaram numa explosão de, a bater palmas, no justo momento em que viram brotar esse rio, quando o filme foi exibido no Festival de Kerala, na Índia. Tem estreia comercial em Portugal marcada para 8 de Maio e a 30 em Moçambique.




Entrevista com Teresa Prata sobre o filme


                              

sábado, 10 de março de 2012

Deweneti (Senegal 2006)

Hoje eu trago para todos um curta-metragem do senegal chamado Deweneti. Uma história comovente por se tratar de uma realidade que cerca inclusive nossas crianças brasileiras. Um menino passa o dia pedindo dinheiro nas ruas do Senegal, prometendo a todos que iria rezar para que seus desejos se realizassem e assim conseguia a quantia que desejava. 
O que acontece depois? Nesse terão que assistir, e garanto que não vão se arrepender. Para lhes dar mais curiosidade e vontade de assistir esse curta peço que imaginem neve caindo no senegal, conseguem? Pois é, a diretora Dyana Gaye nos surpreende com a sua visão. Falando nisso quem é Dyana Gaye? Ela tem 35 anos, é a autora da maior surpresa do Verão de cinema francês e, 2012: "Un Transport en commun", um musical "on the road" de 50 minutos nas estradas do Senegal. Estreou nas salas de cinema e vem conquistando os espectadores franceses. Ela nasceu na França e seus pais são senegalês.

                                                                       Dyana Gaye

Para os fãs de cinema eu trago abaixo o curta para assistir via youtube, com legendas em inglês!
  Bom filme! 



 Director: Dyana Gaye 
 Screenwriter: Rémi Mazet 
 Producer: Andolfi Productions 
 Starring: Abasse Ba, Oumar Seck, Nianga Diop, Moustapha Gaye
 Running time 15 min 
  Cesar award: 2008 César nomination for Best Short Film for Deweneti.

quarta-feira, 7 de março de 2012

Ousmane Sembène e o Senegal

Começo essa postagem convidando todos a se deliciarem com o cinema, não de qualquer forma, não de forma alienada, pois o cinema não é um ópio, mas sim uma estética, e dessa forma, cada imagem possui sua significação, sua subjetividade. Te convido a fazer essa viagem e perceberá quanta coisa podemos aprender com a 7º arte sobre as sociedades que nos cercam.


Gostaria que a primeira publicação estivesse relacionada ao diretor, cineasta e escritor Ousmane Sembène.

Considerado o pai do cinema africano, foi o precursor desta arte na África. Com o intuito de mostrar as especificidades e riquezas da cultura tradicional, não só do Senegal mas de toda a África, aposta em filmes de caráter realista que lembram os antigos griots.
Suas obras são marcadas pelo forte teor crítico de aculturação proposta pela Europa, como também o papel de líderes locais e suas políticas de aproximação e negociação mundial. Para ele a manutenção e propagação dos valores originais africanos estaria fortemente relacionada a identidade da negritude e suas culturas propagadas entre os familiares. Para isso apoiava o ensino de línguas matrizes como o wolof, usados em suas produções cinematográficas, como também a valorização da religiosidade africana frente ao avanço da religião muçulmana e católica, exemplo claro no filme Emitai.




Criticado por não aceitar apoio financeiro europeu para as suas produções, seus filmes são marcados por planos longos, cenário externo, poucas falas apostando mais nos símbolos visuais, deixa marcado a influência do realismo socialista soviético, buscando suas origens em Moscou, capital da Rússia, país localizado na Europa. Porém essa sua opção retrata os conflitos sócio-políticos vividos em todo o mundo, a chamada Guerra Fria. Como marxista declarado, se aproxima do comunismo francês, e resolve usar as concepções do realismo soviético para passar sua mensagem.

Podemos então perceber que o Realismo socialista foi um conjunto de diretrizes da
União Soviética, entre a década de 1930 e a morte de Stalin, que orientava os estilos de produção. Muito além disso, era uma política oficial que pretendia adequar a produção cultural à interpretação marxista-leninista da realidade. Se consagra como uma política estética oficial em oposição as vanguardas russas. Os membros da vanguarda russa, artistas em geral ligados ao Construtivismo, ao Abstracionismo e ao Suprematismo, possuíram papel importante na primeira fase da revolução, propondo a criação de grandes ateliês públicos de arte, nos quais a livre expressão estética seria incentivada pelo Estado, em busca da libertação, tanto individual quanto coletiva, dos valores pré-revolucionários. Com a política totalitária stalinista, este tipo de posicionamento artístico foi duramente combatido, sendo perseguidos nomes ligados à arte abstrata, em especial. Durante praticamente todo o período
de existência da União Soviética, a vanguarda russa original foi esquecida e pouco estudada, privilegiando-se o Realismo socialista. Apenas com a queda do comunismo stalinista do Leste Europeu tal movimento passou a despertar novos interesses.




Cartaz típico do Realismo Socialista relembrando "os heróis do Encouraçado Potemkin".

Cada vez mais na História tem se aberto espaço para discussões de fontes
historiográficas além dos documentos escritos, mais defendidos pela escola metódica do século XIX, onde a oralidade e a imagem tem ganhado espaço, principalmente com o
surgimento da História Nova, fazendo com que o cinema possa ser discutido como fonte para se entender melhor a mentalidade das sociedades, entramos cada vez mais na discussão levantada pela história total. Somente por volta dos ano sessenta e setenta do nosso século que o filme é visto como documento e como agente transformador da história. Jorge Nóvoa nos afirma que desde a formação da história com Heródoto nenhum documento se impôs tanto a ponto de ganhar uma formulação teórica, onde para os cientistas sociais esse passa a ser um modelador das mentalidades, sentimentos e emoções dos indivíduos. O próprio Marx, ainda no século XIX, relaciona a sua pesquisa cientifica com uma frase de Shakespeare "nada que é humano me é estranho".